Quando finalmente terminei a última gota do último vidro rosa e me dei a liberdade de escolher um perfume que realmente me interessasse, conquistei um vidro do lindo e mortal Poison da Dior. Foi meu primeiro perfume importado e até hoje é o meu perfume de balada/night. Ele tem uma fixação tão incrível que mesmo depois de lavar a roupa alguma coisa do cheiro permanece nela (e em tudo mais que você tiver tocado antes de voltar pra casa e tomar aquele merecido super banho exorcista e cair na cama). É uma combinação de notas de especiarias e âmbar em em torno do aroma marcante da flor tuberosa, mais mel e musk. Como o próprio site da marca descreve perfeitamente,
Some perfumes are born a myth. Provocative and mysterious since its creation, Poison is Dior’s ultimate weapon of seduction. Its exceptional alchemy is created by a rich blend of spicy, fruity and amber notes with sensual honey and musk accords. An unforgettable and charismatic oriental fragrance.
E, no caso do Poison, irmão mais velho forte e mais mau mais da sua família que também tem o Pure Poison e o Midnight Poison e teve o Tendre Poison. É um cheiro forte e quente, que foi um hit nos anos 1980 e nem muita gente não gosta (minha mãe inclusive). Ainda assim, é irresistível como a maçã da Branca de Neve (o formato do vidro remete a uma fruta). Pausa para uma música que é a cara deste perfume:
Tempos depois encontrei um perfume maravilhoso que, de tanto usar, meus amigos na época da faculdade o marcaram como sendo "cheiro de Julita": o Cologne du 68 da Guerlain. É uma combinação muito estranha de 68 matérias-primas feita em homenagem à própria maison (que fica num prédio de mesmo número na avenida Champs-Élysées em Paris). O perfume tem realmente cheiro de tudo e os ingredientes estão listados nesse adesivão do rótulo. Como a sensibilidade olfativa é individual, cada pessoa percebe nele um perfume totalmente diferente e isso me faz gostar mais ainda dele! A percepção do cheiro é única e pessoal como a percepção que as pessoas têm da gente como indivíduo. Além disso tudo, embalagem é clean e simples, com a tampa de madeira, exatamente para não influenciar na interpretação do perfume e preservar totalmente as interpretações pessoais. E é mais uma adição unissex na minha coleção.

E veio depois a minha súbita paixão por perfumes verdes. Não verdes por serem orgânicos e naturebas, não verdes por serem necessariamente herbais. Mas o perfume vir num vidro verde me chama especialmente a atenção, e o primeiro foi o Be Delicious, da Donna Karan. A inspiração veio exatamente da Big Apple, a cidade de Nova York (inclusive, na etiqueta na tampa do próprio perfume está escrito "100% pure New York") e a base aromática remete a um blend de maçãs envolto por especiarias e flores. A coleção conta com o Golden Delicious e com adições temporárias de muitas variações (eu devia ter comprado a versão inspirada em maçãs carameladas). Ano passado, inclusive, houve uma edição inspirada em outras cidades e havia até o Rio entre elas!
O segundo perfume verde foi o Laguna, licenciado sob a marca Salvador Dalí. Eu adoro esse, mesmo não sendo tão fortão quanto os outros, este é um perfume sofisticado e maduro, um cheiro de gente grande. A embalagem segue a linha surreal da marca, e se resume à escultura de um nariz e uma boca.
Lindo. Num dos primeiros posts do blog eu falei dele, pois eu acho o cheiro super emblemático da cidade do Rio ao combinar notas cítricas sem fazer um perfume com cara de balneário de férias.

A última adição marcante à minha coleção (entre estes perfumes aqui houveram uns tantos outros, importados e nacionais, mas não tão marcantes), foi mais um Calvin Klein, o Beauty. Esse perfume é floral e doce, praticamente o estereótipo feminino engarrafado, mas no ambiente pós-sufragista do século XXI ontem a mulher tem poder. E é um perfume muito bom. Só não combina nem um pouco com o clima tropical e com o estilo da vida carioca :-(
Ufa! Acho que é tudo sobre a minha história com perfumes. Mas o papo continua.
"For the first time in his life, Grenouille realized that he had no smell of his own. He realized that all his life he had been a nobody to everyone. What he now felt was the fear of his own oblivion. It was a though he did not exist."
(from Perfume - The story of a murder, 2006)
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